Poeta de Plantao
26.1.05
      ( 19:04 ) POETA DE PLANTÃO  


ANIVERSÁRIO

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui --- ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

Álvaro de Campos

PS.: O sentimento do poema não condiz com o que sinto hoje, como adoro Pessoa e seus "personagens" decidi postar esse poema no dia do meu aniversário. #




21.1.05
      ( 15:30 ) POETA DE PLANTÃO  

Ana Vidigal

Disritmia

Minha vida
engolida
nos relógios
de igreja
de parede
de pulso
Pulsam
entre tic-tacs
sotaques
sintaxes
Disritma-da-mente.

O Pseudopoeta #




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O repouso terminou poeta. Vamos comer letras, parágrafos, períodos, frases, símbolos ortográficos, linhas imaginárias...

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